“Israel está tornando os judeus menos seguros”

O "novo antissemitismo"

Mulher de hijab discursando por megafone em manifestação.Canva

Dr. Sara Cheikh Husain, acadêmica especializada em estudos sobre islamofobia, apresenta uma crítica contundente sobre como o conceito de “novo antissemitismo” está sendo instrumentalizado. Seu ponto central traça um paralelo entre o ISIS e Israel: ambos fundem fé com projetos políticos violentos, colocando suas comunidades em risco. No entanto, ela aponta uma diferença crucial no tratamento ocidental, onde a violência de um é condenada como terrorismo existencial, enquanto a do outro é absorvida e protegida pela arquitetura moral do Ocidente.

O argumento principal da autora é que o “novo antissemitismo” deixou de ser uma defesa contra o racismo antijudaico para se tornar uma ferramenta do aparato islamofóbico. Husain defende que essa redefinição serve para blindar Israel de críticas e silenciar a dissidência, reclassificando a solidariedade à Palestina e a oposição ao genocídio como atos de ódio. Segundo ela, cria-se uma hierarquia racial de responsabilidade, onde as mortes muçulmanas são normalizadas e suas expressões políticas, sistematicamente criminalizadas.

Disfarçado como proteção judaica, o novo antissemitismo funciona como uma forma contemporânea de racismo: a islamofobia reimplantada para disciplinar e silenciar a expressão política muçulmana.

Dra. Sara Cheikh Husain

Para justificar sua tese, Husain descreve a imposição de uma lógica de “soma zero”, onde a segurança judaica é construída como incompatível com a existência e a resistência palestina. Ela cita exemplos recentes na Austrália, onde manifestações pró-Palestina foram falsamente ligadas a ataques violentos para acelerar políticas draconianas de silenciamento. Essa dinâmica, segundo a autora, recicla tropos da “Guerra ao Terror” para deslegitimar qualquer apoio à libertação palestina, rotulando-o automaticamente como apoio ao terrorismo.

A autora conclui que essa manobra, longe de prevenir danos, entrincheira as condições que reproduzem tanto o antissemitismo quanto a islamofobia. Ao blindar um estado de suas responsabilidades sob o pretexto de proteção identitária, o “novo antissemitismo” atua, na verdade, como cobertura para a continuidade da violência contra as principais vítimas do projeto colonial israelense: os palestinos e as comunidades muçulmanas globais.

Nota: Esta é uma curadoria de opinião e não reflete necessariamente a visão do LAST.

Fonte: Middle East Monitor
Link: Leia o artigo original em https://www.middleeastmonitor.com/20251219-new-antisemitism-is-islamophobias-new-apparatus/?utm_source=flipboard&utm_content=topic%2Fantisemitism

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