Nick Cohen, jornalista e autor britânico, lança uma crítica severa ao que chama de “silêncio profundo” dos liberais ocidentais diante do extremismo antissionista. Seu ponto central é que a falha em confrontar islamitas e a extrema-esquerda não apenas coloca judeus em perigo globalmente, mas tem sido historicamente desastrosa para os palestinos. Para Cohen, slogans violentos e atos de terror são ignorados ou racionalizados por quem, em qualquer outro contexto, deveria defender a paz e o compromisso.
O argumento principal expõe uma hipocrisia latente: enquanto em outros conflitos os liberais insistiriam que o terrorismo desacredita uma causa, no caso de Israel, há uma recusa em aplicar essa lógica aos grupos radicais. Cohen destaca que a exigência absolutista pela abolição do Estado judeu fortaleceu sistematicamente a direita israelense desde 1948. Para ele, cada tentativa de “apagar Israel do mapa”, das invasões árabes aos ataques do Hamas, resultou apenas em mais sofrimento e recuos para o povo palestino.
A exigência da abolição de Israel não é apenas uma ameaça aos judeus, mas tem sido um desastre comprovado para a causa palestina há mais de 70 anos.
Nick Cohen
Para justificar sua tese, Cohen ilustra o isolamento da própria esquerda israelense, que, mesmo opondo-se a Netanyahu, é tratada como inimiga por movimentos de boicote. Ele cita casos de hostilidade contra quem dialoga com israelenses progressistas para demonstrar que a postura da esquerda global tornou-se “pior do que racista, estúpida”. Essa rejeição total valida, segundo o autor, o medo existencial de que o objetivo final dos antissionistas não é a mudança política, mas a eliminação dos judeus.
Cohen conclui diagnosticando as causas desse fenômeno: desde o medo de rótulos como “islamofóbicos” até um antissemitismo velado em instituições respeitáveis. Ele alerta que a negligência em proclamar que “a violência não é a resposta” acaba, ironicamente, servindo aos interesses da linha dura do governo israelense. O texto encerra com pessimismo, sugerindo que os liberais parecem ter escolhido recuar covardemente em vez de defender os princípios de moderação necessários para a paz.
Nota: Esta é uma curadoria de opinião e não reflete necessariamente a visão do LAST.
Fonte: The Jewish Chronicle
Link: Leia o artigo original em https://www.thejc.com/opinion/the-unforgivable-failure-of-liberals-to-confront-anti-zionists-rzxeh2gu?utm_source=flipboard&utm_content=topic%2Fsyria