O relatório assinado por Carlos Igualada traça a evolução do fenômeno jihadista na Europa ao longo da última década, marcando o período que se iniciou com a ascensão do Estado Islâmico. Entre 2014 e 2017, o continente enfrentou uma onda de atentados de alta complexidade e letalidade, como os ataques ao Bataclan e em Bruxelas, orquestrados por células estruturadas e combatentes estrangeiros retornados. Esse ciclo testou a capacidade de resposta imediata das agências de inteligência e forçou uma revisão profunda nos protocolos de cooperação transnacional.
Com a perda do controle territorial do ISIS no Oriente Médio, a ameaça transformou-se em um modelo de “terrorismo de baixo custo”, caracterizado por ataques de baixa complexidade técnica utilizando veículos e armas brancas. Essa descentralização operacional dificultou drasticamente a detecção preventiva, movendo o centro de gravidade da radicalização para o ambiente digital e fóruns de propaganda. O desafio de segurança deixou de ser a interceptação de logística militar para se tornar o monitoramento de “atores solitários” sem vínculos formais com comandos centrais.
Geopoliticamente, o documento aponta que as rotas migratórias dos Bálcãs e do Norte da África permanecem como vetores de vulnerabilidade devido ao potencial fluxo de elementos radicalizados. A instrumentalização de conflitos vigentes, especialmente a escalada de tensões no Oriente Médio, atua como um catalisador cíclico para a mobilização extremista em solo europeu. A segurança continental enfrenta agora uma ameaça pulverizada, onde a narrativa ideológica sobrevive às derrotas físicas e se adapta rapidamente às novas dinâmicas de comunicação criptografada.
O cenário prospectivo para a próxima década exige que as forças de segurança europeias transcendam a resposta tática e foquem na deslegitimação ideológica de longo prazo. A análise conclui que a resiliência do movimento jihadista reside em sua capacidade de mimetizar crises locais para recrutar indivíduos vulneráveis fora de seu núcleo tradicional. Sem uma estratégia eficaz de contranarrativa e vigilância cibernética agressiva, o risco de ressurgimento de novos picos de violência em massa permanece como um fator de instabilidade permanente para a ordem democrática europeia.
Fonte: OIET (Observatorio Internacional de Estudios sobre el Terrorismo)
Autor(a): Carlos Igualada
Link: Leia na íntegra em https://observatorioterrorismo.com/actividades/evolucion-e-impacto-del-terrorismo-yihadista-en-la-seguridad-europea-durante-la-ultima-decada-2014-2024/
Relatório: https://observatorioterrorismo.com/eedyckaz/2025/06/Impacto-y-evolucion-terrorismo-seguridad-europea-2014-2024-OIET.pdf