A História do Terrorismo

O terrorismo não é um fenômeno moderno; o uso do terror para fins políticos remonta a milênios.

Antiguidade: As Primeiras Manifestações

  • Sicários (Século I): Um grupo extremista judaico que utilizava pequenas adagas (sicae) para assassinar colaboradores romanos e elites judaicas na Judeia, buscando provocar uma rebelião popular.

  • Ordem dos Assassinos (Séculos XI-XIII): Uma seita ismaelita liderada pelo “Velho da Montanha”, que utilizava o assassinato seletivo de líderes políticos e religiosos no Oriente Médio como forma de dissuadir ataques contra suas fortalezas.

A Revolução Francesa e a Origem do Termo

O termo “terrorismo” nasceu durante a Revolução Francesa, no período conhecido como “O Terror” (1793-1794). Ao contrário do uso atual, o termo referia-se ao uso da violência sistemática pelo próprio Estado (o governo jacobino de Robespierre) para eliminar “inimigos da revolução” e consolidar o novo regime.

O Terrorismo Moderno: A Teoria das Quatro Ondas

O historiador David Rapoport propôs que o terrorismo moderno evoluiu em “ondas” cíclicas, cada uma dominada por uma ideologia específica:

1ª Onda: A Onda Anarquista

1880 - 1920

Surgida na Rússia, essa onda pregava a “propaganda pelo ato”. Anarquistas acreditavam que o assassinato de figuras de autoridade inspiraria as massas à revolução. Este período ficou conhecido como a “Era de Ouro dos Assassinatos”, culminando na morte de chefes de estado, como o presidente americano William McKinley e o rei Humberto I da Itália.

2ª Onda: A Onda Anticolonial

1920 - 1960

Iniciada após a Primeira Guerra Mundial com o colapso dos impérios coloniais, essa onda focava na luta pela autodeterminação. Grupos como o IRA (Irlanda) e o FLN (Argélia) lutavam contra potências europeias. Foi nesse período que o termo “terrorista” começou a ser substituído por “combatente da liberdade” nas narrativas dos próprios grupos.

3ª Onda: A Onda da Nova Esquerda

1960 - 1980

Influenciada pela Guerra do Vietnã e pelo contexto da Guerra Fria, essa onda envolveu grupos marxistas e separatistas em todo o mundo. As táticas principais mudaram para sequestros de diplomatas e, especialmente, o sequestro de aeronaves comerciais, que garantiam visibilidade internacional imediata na televisão.

4ª Onda: A Onda Religiosa

1979 - 2026

A onda atual foi desencadeada por três eventos em 1979: a Revolução Iraniana, a invasão soviética do Afeganistão e a invasão da Grande Mesquita de Meca. Embora muitas vezes associada ao extremismo islâmico (Al-Qaeda, ISIS), essa onda também inclui movimentos extremistas de outras matrizes religiosas. Caracteriza-se por ataques de alta letalidade, inclusive contra civis, e o uso de táticas de martírio (suicídio).

O Pós-11 de Setembro e o Século XXI

Os atentados de 11 de setembro de 2001 marcaram uma mudança fundamental, transformando o terrorismo na principal preocupação de segurança global. A resposta internacional resultou na “Guerra Global ao Terror” e na ocupação do Afeganistão e Iraque. Nos últimos anos, observou-se uma nova evolução:

  • Descentralização: Grupos como o ISIS passaram a utilizar a internet para radicalizar “lobos solitários” ou atacantes de oportunidade que agem em seus próprios países sem comando direto.

  • Novas Fronteiras: O foco de violência tem se concentrado cada vez mais em zonas de conflito, como a região do Sahel na África, que abriga atualmente alguns dos grupos mais letais do mundo.

  • Tecnologia: O uso de mídias sociais para recrutamento e o emprego de drones e criptoativos nas finanças terroristas representam os novos desafios do século XXI.