A analista Saima Afzal argumenta que a saída dos Estados Unidos e o retorno do Talibã ao poder, longe de encerrar um ciclo de conflito, consolidaram o Afeganistão como um foco de instabilidade para toda a Ásia Central. Segundo Afzal, a fragilidade do ambiente de segurança pós-2021 é evidenciada pela recorrência de incursões armadas e ataques transfronteiriços que afetam diretamente vizinhos como Paquistão, Irã e as repúblicas da Ásia Central. A autora sustenta que o território afegão deixou de ser apenas um problema doméstico para se tornar uma plataforma operacional organizada para milícias regionais.
Afzal destaca incidentes críticos ocorridos entre o final de 2025 e o início de 2026, como ataques de drones contra interesses chineses no Tajiquistão lançados a partir da província de Badakhshan. Para a autora, a presença de mais de vinte grupos terroristas transnacionais e cerca de treze mil combatentes estrangeiros, conforme relatórios da ONU, valida a tese de que o controle do Talibã não resultou na neutralização de ameaças. Ela aponta que grupos como o ISIS-K e a Al-Qaeda mantêm alcance operacional sobre projetos de infraestrutura regional e pessoal estrangeiro.
O compartilhamento de inteligência, o gerenciamento alinhado de fronteiras, o monitoramento financeiro de redes extremistas e a pressão diplomática unificada oferecem mais promessas do que esforços nacionais isolados.
Saima Afzal
A autora também identifica um componente ideológico profundo na manutenção dessa insegurança, mencionando a expansão acelerada de redes de madrassas e restrições sociais severas sob o regime Talibã. Afzal sugere que a priorização do controle doutrinário em detrimento da reconstrução econômica cria condições ideais para a radicalização e o recrutamento militante. Na visão da analista, o sistema educacional afegão corre o risco de se transformar em um canal para o extremismo, o que agrava a vulnerabilidade de longo prazo para os Estados vizinhos e para as rotas comerciais da Ásia.
Em sua conclusão, Saima Afzal defende que qualquer engajamento diplomático ou normalização com o governo Talibã deve ser condicional e verificável. Ela argumenta que a legitimidade internacional não pode ser concedida sem que o regime demonstre capacidade crível de desmantelar redes terroristas e interromper a violência transfronteiriça. Para a autora, a crise afegã não é mais um problema local, mas um desafio regional de consequências globais que exige uma resposta coordenada para evitar o colapso total da estabilidade na região.
Nota: Esta é uma curadoria de opinião e não reflete necessariamente a visão do LAST.
Fonte: Eurasia Review
Autor(a): Saima Afzal
Link: Leia na íntegra em https://www.eurasiareview.com/10022026-beyond-withdrawal-afghanistans-emergence-as-a-regional-terror-hub-oped/?utm_source=flipboard&utm_content=other