A Al-Qaeda no Subcontinente Indiano (AQIS) está executando uma transição tática profunda em Bangladesh, priorizando a infiltração ideológica em larga escala sobre a violência física direta. De acordo com dados do Projeto Kiron — iniciativa da SecDev apoiada pelo governo do Canadá —, o grupo utiliza infraestruturas digitais em plataformas de massa para moldar narrativas políticas e normalizar preceitos extremistas. Esta manobra de “jihad eletrônica” visa consolidar uma base de apoio resiliente antes do ciclo eleitoral de 2026, aproveitando o vácuo de poder deixado após a queda do regime de Sheikh Hasina em 2024.
A análise do Projeto Kiron — cujo nome remete à “luz do sol” em bengali — revela que o extremismo violento agora se funde a um espectro mais amplo de ameaças digitais, incluindo desinformação coordenada e crimes cibernéticos. Em parceria com o PNUD Bangladesh e a Rupantar, o estudo identifica que canais de comunicação mimetizam o jornalismo independente para disseminar conteúdo radical sob uma roupagem analítica. O deslocamento para redes sociais dominantes permite que a AQIS apresente modelos teocráticos como alternativas viáveis à governança secular em um momento de transição sob o governo interino de Muhammad Yunus.
A neutralização desta rede exige uma resposta que integre a capacitação da sociedade civil e ferramentas técnicas para lidar com danos digitais pessoais e sistêmicos. O Projeto Kiron destaca que o uso de algoritmos de recomendação personaliza o recrutamento ideológico silencioso, tornando-o quase indistinguível do debate político legítimo. Sem uma intervenção centrada na cibersegurança e na deslegitimação das narrativas jihadistas, a infraestrutura de comunicação de Bangladesh continuará servindo como o principal incubador de rupturas futuras na ordem pública e no Estado de Direito.
O Projeto Kiron, ao iluminar esses desafios, oferece soluções impactantes onde a expertise técnica é necessária para enfrentar a evolução constante do cenário digital. Ao capacitar o governo e a sociedade civil, a iniciativa da SecDev busca combater não apenas o extremismo, mas o espectro completo de danos digitais que ameaçam a estabilidade da Ásia Meridional. A eficácia desta “luz” sobre as operações invisíveis da AQIS é determinante para a preservação das instituições democráticas bangladenses nos próximos ciclos políticos.
Instabilidade institucional
Bangladesh atravessa uma fase de transição crítica e instabilidade institucional após a queda do regime de Sheikh Hasina em agosto de 2024, motivada por uma revolta liderada por estudantes. O atual governo interino, sob a liderança do Nobel Muhammad Yunus, opera sob intensa pressão para restaurar a ordem democrática em meio a um vácuo de poder que permitiu o ressurgimento de forças islâmicas radicais e a reorganização de células extremistas. A volatilidade do cenário político, exacerbada pela polarização e pela fragilidade das agências de segurança doméstica, transforma o país em um terreno fértil para a infiltração ideológica de grupos como a Al-Qaeda e o ISIS, que buscam capitalizar o descontentamento social para reconfigurar a arquitetura de poder na Ásia Meridional antes das eleições previstas para 2026.
Você pode acessar o relatório em https://www.secdev.com/Whitepapers/KIRON_MonthlyReport_November_2024.pdf