Em análise para a Psychology Today, os pesquisadores Arie W. Kruglanski e Joel Singer argumentam que o Hamas não é apenas uma organização paramilitar, mas uma ideia enraizada na busca psicológica por “significância” e dignidade. Segundo os autores, a destruição física de infraestruturas e lideranças falha em atingir o núcleo ideológico do grupo, que se regenera através do sentimento de resistência contra a opressão percebida. Para a segurança global, isso sinaliza que a vitória puramente cinética é uma ilusão temporária se a motivação subjacente permanecer intacta no tecido social.
Os autores destacam que o uso exclusivo da força militar pode, paradoxalmente, fortalecer a narrativa do Hamas ao elevar seus combatentes ao status de mártires, ampliando o apelo emocional e o recrutamento. A análise sugere que ideologias extremistas operam como sistemas de crenças que oferecem propósito absoluto aos seus seguidores em contextos de crise. Dessa forma, a repressão violenta sem uma contraproposta política clara serve para validar a retórica do grupo de que a luta armada é a única via de sobrevivência, perpetuando o ciclo de violência intergeracional.
Para que a “ideia” do Hamas seja efetivamente neutralizada, Kruglanski e Singer sustentam que é imperativo substituir o atual sistema de crenças por uma alternativa que garanta segurança e autodeterminação real. A estabilidade estratégica de longo prazo depende da transição de uma doutrina de aniquilação física para uma de substituição ideológica, focada em resolver as queixas estruturais que alimentam o radicalismo. Sem um horizonte que ofereça uma rota de “significância” fora do conflito armado, o vácuo deixado por perdas materiais será invariavelmente preenchido por novas insurgências.
Geopoliticamente, essa perspectiva alerta que a superioridade tática não se traduz em segurança regional se as bases emocionais do extremismo continuarem operantes. A incapacidade de oferecer uma solução política para a questão palestina garante que o “mercado” de ideias radicais permaneça aquecido, desafiando a eficácia do contraterrorismo convencional. Portanto, a análise conclui que a derrota final do Hamas exige uma arquitetura de paz que desmantele a utilidade psicológica da violência, movendo o foco do campo de batalha para a deslegitimação da narrativa jihadista.
Fonte: Psychology Today
Link: Leia na íntegra em https://www.psychologytoday.com/us/blog/significance/202407/can-the-idea-of-hamas-be-defeated