O Anuario del terrorismo yihadista 2025, publicado pelo Observatorio Internacional de Estudios sobre Terrorismo (OIET), apresenta uma radiografia abrangente da dinâmica global do extremismo violento de matriz jihadista ao longo do ano. O estudo analisa as atividades de organizações como Al-Qaeda, Estado Islâmico e suas ramificações regionais, com foco especial na África, no Oriente Médio, na Ásia e na Europa Ocidental. A tese central do documento aponta para a fragmentação descentralizada do movimento jihadista global, em que franquias locais e regionais assumem crescente autonomia operativa e capacidade de governança territorial, muitas vezes superando a relevância tática de suas estruturas centrais.
No âmbito das métricas e tendências, o ano de 2025 registrou um total de 2.018 ataques terroristas de caráter jihadista em todo o mundo, resultando em 9.901 vítimas fatais. Embora o número de atentados represente um aumento de 1,9% em relação a 2024, a letalidade global apresentou uma redução de 5,2%. O dado estatístico mais expressivo revela que o continente africano concentra 88% de todas as vítimas fatais registradas, abrigando também os dez atentados mais letais do ano. Burkina Faso, com 2.853 vítimas, e Mali, com 1.397 vítimas, lideram os índices de violência, consolidando a região do Sahel Ocidental como a principal zona de atuação terrorista mundial por mais um ano consecutivo.
Abaixo, a tabela detalha o número de atentados terroristas registrados durante o ano de 2025:
| Posição | País | Número de Atentados | Número de Vítimas Fatais |
|---|---|---|---|
| 1 | Burkina Faso | 443 | 2.853 |
| 2 | Nigéria | 267 | 1.373 |
| 3 | Mali | 265 | 1.397 |
| 4 | Níger | 186 | 1.142 |
| 5 | Paquistão | 183 | 741 |
| 6 | Somália | 164 | 735 |
| 7 | Camarões | 155 | 235 |
| 8 | RD Congo | 101 | 731 |
| 9 | Síria | 55 | 138 |
| 10 | Afeganistão | 33 | 64 |
| 11 | Moçambique | 27 | 104 |
| 12 | Tailândia | 23 | 27 |
| 13 | Benim | 21 | 119 |
| 14 | Índia | 19 | 68 |
| 15 | Iraque | 14 | 24 |
| 16 | Iêmen | 9 | 15 |
| 17 | Israel | 8 | 11 |
| 18 | Irã | 8 | 28 |
| 19 | Chade | 5 | 15 |
| 20 | Quênia | 4 | 13 |
| 21 | Alemanha | 3 | 1 |
| 22 | Estados Unidos | 3 | 17 |
| 23 | Tajiquistão | 3 | 7 |
| 24 | Togo | 3 | 9 |
| 25 | Filipinas | 2 | 6 |
| 26 | Uganda | 2 | 2 |
| 27 | França | 2 | 2 |
| 28 | Reino Unido | 2 | 3 |
| 29 | Turquia | 2 | 5 |
| 30 | Áustria | 1 | 1 |
| 31 | Rússia | 1 | 3 |
| 32 | Espanha | 1 | 0 |
| 33 | Austrália | 1 | 15 |
| 34 | Egito | 1 | 1 |
| 35 | Costa do Marfim | 1 | 2 |
Além da expansão geográfica, identifica-se uma escalada na sofisticação tecnológica e na inovação metodológica dos grupos insurgentes. O relatório detalha a utilização sistemática de tecnologias de duplo uso, incluindo drones comerciais adaptados para missões de inteligência, vigilância e ataques com explosivos improvisados, especialmente pelo JNIM e pelas províncias do Estado Islâmico no Sahel e na Bacia do Lago Chade. Paralelamente, destaca-se o uso de Inteligência Artificial generativa para a produção de propaganda, o emprego de criptomoedas para evasão de sanções financeiras e a instrumentalização do conflito em Gaza para incitar atores solitários e impulsionar a radicalização de menores e jovens no Ocidente.
O contexto geopolítico que propicia a concentração da violência no Sahel está profundamente ligado à reconfiguração das alianças estratégicas e à instabilidade institucional da região. As juntas militares de Burkina Faso, Mali e Níger, agrupadas na Aliança dos Estados do Sahel (AES), romperam com aliados ocidentais tradicionais e com mecanismos de segurança regionais, como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). A opção por parcerias de segurança alternativas, envolvendo atores estatais e paramilitares externos, gerou vácuos de poder e diminuiu a eficácia da coordenação transfronteiriça de contraterrorismo, oferecendo às organizações armadas o espaço necessário para operar com maior liberdade.
Abaixo, a tabela detalha os dez atentados terroristas jihadista mais letais de 2025:
| Posição | Data | Local | Nº de Vítimas | Tipologia de Ataque | Autoria |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 11 de maio | Djibo (Burkina Faso) | 200 | Emboscada | JNIM |
| 2 | 1º de junho | Boulkessi (Mali) | 100 | Emboscada | JNIM |
| 3 | 9 de outubro | Koubel-Alpha (Burkina Faso) | 90 | Emboscada | JNIM |
| 4 | 20 de junho | Manda (Níger) | 71 | Incursão em povoado | IS-SAHEL |
| 5 | 27 de fevereiro | Kivu do Norte (RD Congo) | 70 | Incursão em povoado | Forças Democráticas Aliadas (ADF) |
| 6 | 18 de julho | Ituri (RD Congo) | 66 | Incursão em povoado | Forças Democráticas Aliadas (ADF) |
| 7 | 8 de setembro | Kivu do Norte (RD Congo) | 65 | Incursão em povoado | ISCAP |
| 8 | 28 de março | Diapaga (Burkina Faso) | 64 | Emboscada | JNIM |
| 9 | 5 de setembro | Dar el Jamal (Nigéria) | 63 | Incursão em povoado | ISWAP |
| 10 | 11 de maio | Solle (Burkina Faso) | 60 | Emboscada | JNIM |
Essa conjuntura regional de fragilidade estrutural é explorada pelas franquias jihadistas mediante o estabelecimento de modelos de proto-governança em substituição ao aparato estatal. Grupos com controle territorial têm implementado sistemas de tributação local, administração de rotas de contrabando e provisão seletiva de serviços em áreas rurais. A exploração do descontentamento socioeconômico e das tensões intercomunitárias facilita o recrutamento e o enraizamento das milícias nas populações locais. Em outras regiões, como no Sul da Ásia, o relatório observa a instrumentalização de grupos extremistas por atores estatais com o objetivo estratégico de desgastar governos adversários, exacerbando os níveis de conflito.
A consequência direta desse cenário é a proliferação de uma guerra de desgaste contínua que ameaça expandir-se para além dos seus territórios tradicionais. Na África Ocidental, a pressão das insurgências já afeta diretamente os países costeiros do Golfo da Guiné, operando em zonas de fronteira como as de Benin e Togo. No ambiente europeu, o impacto traduz-se na manutenção de um terrorismo endógeno de letalidade reduzida, porém de alta previsibilidade, alimentado por ciclos de radicalização recíproca entre o jihadismo e movimentos de extrema direita. Conclui-se que o enfrentamento ao terrorismo exige abordagens que transcendam as respostas exclusivamente militares, demandando o fortalecimento das instituições locais, o desenvolvimento econômico e iniciativas de alfabetização digital.
Fonte: Observatório Internacional de Estudos sobre o Terrorismo (OIET)
Link: Acesse o documento original em > https://observatorioterrorismo.com/eedyckaz/2026/03/ES-ANUARIO2025.pdf
Nota editorial: Produção textual assistida por IA (NotebookLM) sob curadoria técnica.