De acordo com uma reportagem de Adam Kredo para o Washington Free Beacon, um manual de redação interno da rede Al Jazeera — sediada no Catar — estabelece diretrizes específicas sobre como seus jornalistas devem se referir a grupos extremistas. Um guia de estilo é uma ferramenta técnica utilizada por veículos de comunicação para padronizar a linguagem, garantindo que termos complexos sejam usados de forma uniforme por toda a equipe, o que acaba por moldar a percepção do público sobre determinados fatos e atores políticos.
O documento instrui os profissionais a não utilizarem a expressão “organização terrorista” para se referir ao Estado Islâmico (ISIS), recomendando, em vez disso, o termo “grupo armado”. Na análise de segurança internacional, a escolha das palavras é estratégica: enquanto o termo “terrorista” implica uma condenação moral e jurídica global baseada em táticas de violência contra civis, o termo “grupo armado” pode ser interpretado como um ator político ou paramilitar em uma disputa territorial, alterando o peso da legitimidade do grupo no debate público.
Além da classificação do ISIS, o guia veda o uso de termos como “jihad” e “islamista”. O conceito de jihad é multifacetado, podendo significar um esforço espiritual interno ou uma luta armada; contudo, no contexto do terrorismo global, é frequentemente apropriado por grupos para justificar a violência sectária. Já o “islamismo” refere-se a movimentos que buscam aplicar preceitos religiosos na governança estatal. Ao remover esses termos, a rede opta por uma narrativa que desvincula a motivação religiosa ou ideológica das ações executadas pelos grupos em questão.
Geopoliticamente, a Al Jazeera é financiada pelo Estado do Catar, um país que frequentemente atua como intermediário diplomático entre governos ocidentais e organizações consideradas extremistas por diversas nações, como o Hamas e o Talibã. Essa posição de mediador reflete-se na linha editorial da rede, que busca uma neutralidade semântica que, para críticos e analistas citados na matéria original, pode suavizar a imagem de entidades que praticam violência sistemática contra populações civis sob justificativas ideológicas.
A padronização linguística descrita no manual também se estende à cobertura do conflito árabe-israelense, proibindo o uso de “Jerusalém” como metonímia para o governo de Israel e desencorajando a expressão “Estado Judeu”. Essas escolhas editoriais demonstram como a linguagem é utilizada não apenas para transmitir dados, mas para estabelecer enquadramentos políticos que influenciam a compreensão de audiências globais sobre a natureza, as causas e as motivações reais dos conflitos no Oriente Médio.
Fonte: Washington Free Beacon
Autor: Adam Kredo
Link: Leia na íntegra em > https://freebeacon.com/media/inside-al-jazeeras-style-guide-which-forbids-reporters-from-calling-isis-a-terrorist-organization/