Última atualização: 19/03/2026

Boko Haram

Organização · Fundação · Fundador · Status · Ideologia

Boko Haram 2002 Mohammed Yusuf
Ativo Jihadismo Salafista & Wahhabismo

Nome Oficial

O nome oficial do grupo é Jama’atu Ahlis Sunna Lidda’awati Wal-Jihad (também transliterado como Jama’at Ahl al-Sunna li al-Da’wa wa al-Jihad), que em árabe significa “Grupo do Povo da Sunnah para a Pregação e a Jihad”.

Acrônimos/Aliases

Boko Haram, Talibã Nigeriano, Movimento Yusuffiya, Daular Musulunci, ISWAP (Província da África Ocidental do Estado Islâmico).

Fundação

O grupo foi fundado oficialmente em 2002 pelo pregador Mohammed Yusuf. Há registros de que a organização se formou inicialmente como um movimento religioso não violento ainda em 1995, antes de adotar táticas violentas na década seguinte.

Base de Operações

A base de operações principal concentra-se no nordeste da Nigéria, especificamente no estado de Borno, tendo a Floresta de Sambisa e as montanhas de Mandara como grandes redutos. O grupo também expandiu sua zona de atuação além das fronteiras nacionais, operando em países da Bacia do Lago Chade, que incluem os vizinhos Níger, Chade e o norte dos Camarões.

Liderança Atual

Após a morte de seu líder histórico Abubakar Shekau (que se suicidou em 2021) e de um período transitório sob o clérigo Bakura Sahalaba, a liderança foi tomada por Bakura Doro em 2022 (quando este ordenou a execução de Sahalaba). Bakura Doro conseguiu reagrupar a organização e derrotar facções rivais em batalhas recentes, embora militares nigerianos tenham alegado sua possível morte em agosto de 2025.

Ideologia Base

O Boko Haram é um grupo extremista islâmico sunita que segue o Jihadismo Salafista e o Wahhabismo. Sua ideologia baseia-se na exigência de estabelecer um califado e implementar a rigorosa lei islâmica (Sharia), rejeitando completamente fronteiras nacionais, governos eleitos e o secularismo. O grupo aplica o princípio do takfir, o que significa que consideram como infiéis ou apóstatas quaisquer muçulmanos (e não muçulmanos) que não se alinhem exatamente às suas crenças ou que participem da democracia.

Narrativa Central

Sua narrativa interliga o exclusivismo religioso e uma política de vitimização. O grupo alega que os valores ocidentais (especialmente o modelo educacional ocidental e a democracia) corromperam a cultura islâmica e são a raiz da corrupção na sociedade nigeriana. Além disso, eles argumentam de forma sistemática que suas ações violentas são atos de autodefesa ou retaliação contra um histórico de agressão, perseguição e violência perpretada pelo Estado nigeriano e pelos cristãos contra os muçulmanos.

Inimigo Definido

Devido à sua visão de mundo, o Boko Haram declarou guerra a uma vasta gama de inimigos:

  • O governo, os militares e as instituições da Nigéria e de países vizinhos.
  • Cidadãos ocidentais, a educação ocidental e instituições democráticas.
  • Cristãos, frequentemente atacando suas igrejas e vilarejos.
  • A própria população muçulmana (líderes sufis, xiitas ou sunitas tradicionais) que rejeita seu projeto de jihad ou participa do estado secular.
  • Facções dissidentes rivais, como o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP).

Modus Operandi

O grupo emprega uma mistura de táticas de terrorismo, guerrilha e atividades criminais. Seus métodos incluem:

  • Atentados suicidas e uso de dispositivos explosivos improvisados, notoriamente coagindo mulheres e até mesmo crianças para detonarem os explosivos em alvos civis (mercados, mesquitas, etc.).
  • Ataques armados e massacres brutais contra vilarejos inteiros, escolas e bases militares, onde frequentemente promovem assassinatos em massa.
  • Sequestros em massa (como o infame caso das meninas de Chibok), com o objetivo de obter resgates, forçar casamentos, usar vítimas como escudo ou transformá-las em escravas sexuais.
  • Ações de financiamento ilícito que envolvem roubos a bancos, extorsão da população local (cobrança de impostos) e tráfico humano e de armas.